ELA DISSE AMÉM

- Alô? [...] Firmina. Firmina Ferreira. Estou ligando novamente [...] Sim, entreguei nas mãos Dele para que cuide de tudo!  Tem certeza que revelou? [...] Falou em justiça?! Justiça ou Justina? Repita por favor. [...] Falou que estou pronta!? [...] Sim eu sei, também me sinto assim. Eternamente grata!
 Desligou o telefone, bebeu o copo com água, e deixou a televisão ligada. Acordara assombrada no alvor da madrugada e não conseguiu mais dormir. Mas agora não estava mais aflita. Tomou banho, colocou um vestido de seda e rendas, depois o casaco. Viu em seu celular 70 chamadas silenciosas e não atendidas naquelas últimas horas. Percebeu que algo realmente fora revelado, ia retornar, mas não estava com pressa para saber. Apagou as luzes e deixou o televisor falando sozinho por garantia. Aquele seria o seu dia e já estava pronta para descer ao saguão do hotel e tomar o café da manhã como vinha fazendo nos últimos nove meses.            
Tomou um gole quente do leite, leu o jornal e engasgou-se com a torrada. O garçom lhe trouxe um copo de suco para aliviar a garganta. Disse que não, preferia um champanhe da safra de 1943 e esperou tossindo.     
- Beba senhora, beba rápido!
- Ai, que alivio. Nossa...! Esse espumante é mesmo bárbaro.           
- Está melhor senhora?            
- Claro que estou, na verdade nunca me senti tão bem. Hoje vou celebrar meu aniversário, sabia?           
- Aniversário?           
- Gostaria de encerrar minha conta, enviem as despesas para o meu advogado, por favor.           
- Claro! Desejo-lhe parabéns?            
- Não precisa, apenas avise na recepção para trazerem meu carro. E diga também que estou deixando como sugestão que adquiram algumas garrafas da safra de 1942. É sem dúvidas muito mais refinado.            
Pegou um guardanapo e anotou os dizeres que seguiriam nos convites para sua grande ocasião. “Firmina Justina Ferreira Dourado recebe amigos para Jantar Formal em sua residência às 17 horas.”           
Antes mesmo das oito horas estava em uma poltrona da gráfica mais aristocrata da cidade. Escolheu o envelope mais elegante do catálogo e pagou por 200 convites. Retirou uma lista de endereços da agenda e pediu que os entregassem no mais tardar, até as dez da manhã.           
- Lamento senhora, mas não aceitamos encomendas com menos de 24 horas de antecedência. Deseja cancelar?           
Retirou um volume suficiente de notas da carteira e concluiu que também não antes das nove.          
 - Com certeza! Cuidarei dos detalhes pessoalmente e começarei agora mesmo.     
- Faça isso, meu jovem.
Aquela seria uma grande noite e por dentro, estava se divertindo bastante com tudo isso. Fazia questão que lá estivessem todos aqueles que riram da sua desgraça nas rodinhas sociais, e tinha certeza que todos ansiariam para a ceia derradeira com a viúva titular da fortuna de Ferreira Dourado. Planejaria, mesmo em cima da hora, não queria que a data passasse despercebida e faria daquela a ocasião oportuna e ideal para anunciar seus planos quanto ao destino das empresas do marido.            
Havia quase nove meses que os dois estavam morando separados e a menos de dois convocaram a justiça para dar início ao que seriam longos anos de um litígio conturbado, mas não chegaram a assinar o desquite. Antonio vinha dificultando e faltando tanto com processo que era insuficiente para contestar a posse de Firmina sobre o patrimônio do falecido. Ainda tentavam marcar a primeira audiência de conciliação, e a única pessoa que poderia disputar a bolada herdada seria o filho do primeiro casamento de Ferreira, justo quem estava dirigindo o automóvel na madrugada que, pai e filho capotaram e faleceram na BR 116 estampando todos os jornais da cidade.           
Se Deus quis assim não iria mesmo questionar as razões.            
- Posso lhe acompanhar até o carro, senhora? – sugeriu o vendedor.           
- Por favor.         
  Sabia que não era de bom tom marcar reuniões nas segundas feiras, dia em que as butiques da alta classe fechavam as portas para balanço e os salões de beleza acompanhavam o mesmo recesso. Qualquer dama teria dificuldades para se apresentar adequada a um jantar de fino porte, salvo enterros e velórios, até porque não era bom tom esbanjar glamour ou destacar-se mais que a própria família desolada. Justamente por essas razões, não se importou em fazer sua grande noite na própria segunda, como lhes disse, estava de muito bom humor naquele dia.            
Além disso, queria confundi-los e causar desconforto. Estava "sambando" em cima da sua nova posição e não se sentia mal por nada. Até porque não fizera nada, acreditou fielmente que foi abençoada por Deus e só. Não desejou a morte deles, mas algumas vezes sim, quando vivia o pico da mágoa. Ultimamente estava com tantas dificuldades financeiras e sociais que só pensava em justiça. Resolver tudo com justiça e na justiça, mas pouco foi preciso.           
 Antonio sujara seu nome de forma vulgar, difamou-a na frente de todos os amigos da família e ainda a fez passar por ridícula. Não gostava nem de lembrar, nunca havia sido tão humilhada e reduzida. Sabia que ele escondia muitas aventuras e amantes antes de procurá-lo na cama, porém sempre fora fiel ao marido. E a Deus, os dois grandes valores que sua mãe lhe ensinou quando moça. Ela a aconselhava com as virtudes necessárias para ser uma esposa da sua classe e status.             
 - Sinto-me tão radiante quanto no dia do meu casamento.           
- E está muito bonita, senhora, se me permite dizer.            
- Irei finalmente comemorar meus 52 anos e torcer para que me venham pelo menos outros cinquenta. Quero viver a partir de agora, valorizar cada dia. Não acreditava quando me diziam que a vida podia acabar a qualquer instante – parou séria e abriu a porta do carro. Pareceu realmente se dar conta do que falou. Levou um choque – Como é mesmo seu nome rapaz?           
- Cristiano, senhora.           
- Muito bonitos esses seus óculos de sol. Posso experimentar?           
- Claro.           
- Mas como eu dizia... Pode mesmo, Cristiano. Acredite, a morte chega de surpresa. É um perigo!           
- Sim é verdade, eu sei Sra. Ferreira Dourado. Eu fiquei sabendo...            
- Irei andando mesmo – fechou a porta do sedan e sorriu maliciosa - minha residência é muito perto. Estava tomando café em um hotel, mas como irei para casa hoje... Não se importa se eu deixar o carro aqui?            
- Fique à vontade.           
- Posso ficar com os óculos? Apreciei-os bastante.           
- Sim, não estão a sua altura, mas aceite como meu presente.            
- De repente me deu medo de entrar nesse carro, acredita? Li no jornal a sinopse de um filme de terror que comecei a assistir ontem na televisão e ainda devo estar impressionada... Não consegui dormir até – e começou a rir de forma exagerada e desgovernada.           
-Imagino senhora, posso imaginar... – o rapaz ficou bastante constrangido com a situação. Não sabia se ria para agradar a cliente, se lamentava a tragédia que era a vida, ou se esperava que agradecesse os óculos. Preferiu garantir a gorjeta extra e fazer jus às normas da empresa, a primordial era clara: não contrariar os fregueses.            
Só uma coisa cabia ser dita naquela situação.           
- Com licença, senhora. Irei providenciar os convites.           
- Até logo, meu jovem. Até logo. – riu num misto de desespero e alegria.           
No fundo estava bastante impressionada com o poder de Deus e o do próprio ser humano. E até um pouco assustada com o tal filme mesmo... Uma coisa se uniu a outra e resultou numa crise nervosa. Não conseguia parar de rir e pelas ruas todos pareciam notar horrorizados. Era socialite célebre em Fortaleza, todos conheciam seu marido. Virara favorita das colunas sociais que constantemente publicaram notas comentado sua crise conjugal ou especulando uma reconciliação.           
Chegou, respirou fundo e abriu as portas da casa com gosto e de uma vez, as criadas se assustaram e cantarolou um afinado e agudo bom dia.           
- Cruz credo, dona Justina. A senhora me mata de susto assim.           
- Estava assistindo a sessão da noite ontem também, Gloria? Um horror aquele filme.           
- Que bom que chegou, não sabia o que fazer. Quer ver os recados?           
- Acabei de chegar, estou morta! Vim andado – esparramou-se no sofá e prendeu o cabelo – Ligue a central de ar e me traga um copo de suco, estou soluçando. Olha, os olhos cheios d’água. Nossa!          
   A governanta fez sinal para outra criada trazer a bebida e ligar o ar refrigerado. Foi apanhar o bloco de recados na outra sala, esperou que a patroa parasse o singulto e entregou-lhe.           
- Está aqui, senhora.           
- Muitos recados, Glória?            
- Bastantes, dona Justina.           
Folheou o caderno e esboçou ar de desinteresse. Foi direto ao assunto:           
- A cerimônia será aqui mesmo. Prepare minha melhor louça, a mesma que usei naquele aniversário. Quero mesas no jardim e o jantar prepare para 200 convidados. Ligue as fontes e acenda todas as luzes às 17 horas. Acenda todas mesmo, quero muitas luzes. A propósito, desligue o ar e abra todas as janelas.           
- E o que vamos servir?           
- O mesmo jantar do meu aniversário. Quero dar motivos para minhas amigas terem muito que conversar depois - disse sorrindo - E o mesmo vestido!           
- O mesmo vestido?           
- Sim! O vestido e os sapatos.           
- Mas senhora, penso que...           
- Não me questione, Glória! Obedeça apenas. Desligue o telefone, não quero que liguem confirmando a festa.           
- Farei.           
- Outra coisa: muitas flores. Flores vermelhas, finas e delicadas. Sabe como gosto delas: bem encarnadas!           
- Aproveito alguma dessas?           
- Claro que não, estas estão horríveis... Flores de defunto! Não quero coroas, parecem secas e ásperas, mude todas. Quero muitas! – se recompôs e levantou do sofá. Pegou a bolsa.           
- Chamo o motorista?          
 - Sim, mas não irei sair, vou para o meu quarto. Tenho muitas coisas para resolver, mas farei pelo celular. Peça apenas para apanhar meu carro na gráfica.           
Abraçou Glória e falou:           
- Hoje quero apenas poder celebrar meus 52 anos e nada mais. Sou uma mulher rica e estou viva. Glória. Viva! É fui abençoada também, sabia? – a empregada esforçou-se e sorriu sem graça – Vou para banheira relaxar um pouco. Não me incomode, apenas quando meu advogado chegar com o representante do cartório. Leve-os para a biblioteca e me chame.           
- Deseja algo mais?           
- O bolo, oh Glória! Ainda tenho que ligar para trazerem meu bolo para cá – e foi para o quarto cantarolando uma valsa fúnebre.           
Sentia-se vivendo um "déjà vu" ou estava idealizando vivê-lo. Um traço preciso que marcava a personalidade de Firmina Justino era o rancor. Dificilmente perdoava ou esquecia uma mágoa. E a noite do seu último aniversário a marcara profundamente.
Começou chegando atrasada à própria festa e isso desencadeou uma séria de outros acontecimentos.           
Primeiro, o marido já estava bêbado e começou a enchê-la de perguntas sobre onde esteve. Partiu como uma grande brincadeira, mas a conversa foi ficando séria e rapidamente desencadeou uma discussão. Dissera que o salão estava muito cheio e demorara a aprontar-se. Então, o filho de Antonio Ferreira, que nunca lhe elogiara uma unha, estranhou e questionou seu cabelo e maquiagem. O marido quis o nome do salão, dissera um... Uma amiga comentou que estivera lá e não a vira. Ele se aborreceu e foi para o quarto colocar o mesmo vestido que usaria naquela noite.          
 Quando desceu as escadas estava tão linda e deslumbrante que inflamou uma crise de ciúmes. Ele a acusara de traição na frente de todos e chamou o motorista, perguntou em alto tom aonde levara sua mulher.           
- Ao Conjunto Dois Irmãos, doutor.          
- Conjunto Dois Irmãos? Está me traindo com um pobretão, cretina?          
- Não acredito que está fazendo isso, Ferreira.           
- Responda!           
- Sou mulher de princípios. Respeite-me!           
- Então porque estava mentindo? O que fazia lá?           
- Conversamos depois, não é momento para isso. Estamos recebendo convidados!           
Ele a puxou pelo braço com força e lhe rebocou o corpo com firmeza.           
- Responda! Responda agora!
Falou em tom tão agressivo e intimidador que o motorista estremeceu pela patroa e tomou a palavra.           
- Na Igreja Jesus Aleluia Irmão, doutor.           
- Como?! Está virando crente, Justina? Era isso que estava escondendo?           
E começou a rir. Foi uma comoção geral, todos riram juntos. Ficara bastante embaraçada e não conseguira responder. Saira de casa aos prantos e fora para um hotel e não voltara. Fora o inicio da separação.           
Firmina era católica praticante de uma vida inteira e criada por família de fortes princípios ortodoxos, diversas vezes criticara outras religiões em suas conversas paralelas. Piadas preconceituosas, adjetivos desnecessários... Por isso ficara tão envergonhada de dizer na frente de todos onde estivera.             
Na noite anterior ao tal aniversário sentiu-se tocada pelas mensagens da doutrina na programação da televisão e quis ver de perto. Escolhera uma igreja distante para que ninguém a visse por lá, e quando lá chegou, orou com fervor. Aquela foi a primeira e a última vez. Pensou em voltar, mas não teve coragem depois da humilhação.           
- Senhora? Seu advogado já está na biblioteca com o representante do cartório. Vai descer agora?           
- Sim, estou indo.           
Colocou um roupão e atravessou a casa, ansiosa.           
- Bom dia, senhores. Não, não precisam se levantar, fiquem sentados mesmo, serei breve por hoje, mas quero deixar tudo encaminhado com o cartório. Depois o senhor, Dr. Rubens, cuidará dos pormenores para mim.            
- Bom dia, Sra. Ferreira. Cuidarei do que for preciso. Vejo que está muito bem e disposta hoje. Recebi o recado de minha secretária e lhe trouxe o representante do cartório, mas liguei a madrugada inteira para lhe dar a noticia...           
- Estava com Deus na outra linha! Agora, estou pronta para dar os rumos dos negócios!          
 - Não acha muito cedo? Já sabe o que pretende fazer?           
- Absolutamente, desfazer-me de tudo!           
- Está certa disso?           
- Sim. E já quero deixar tudo assinado.           
Foram horas de conversas e acertos, assinou documentos, procurações, negociou títulos, imóveis... Iria conservar apenas aquela casa, seu automóvel e algumas poucas ações. Não teria arrependimentos. Nunca aspirou a uma mínima vocação para o mundo empresarial. Terminaram e se dirigiram a saída.           
- Bonita a decoração – comentou o advogado – será uma noite bem glamourosa pelo visto.           
- Obrigada. Sou mulher de bom gosto e muito abençoada por Deus. Sempre fui, e quero celebrar minhas bênçãos sem culpas. As viúvas costumam entrar em quarentena pelos seus maridos, eu sei, mas não entrei. Talvez um dia faça isso, mas só se for por outro. – rindo - Antonio não. Não merecera o presente que fui em sua vida. Virá mais tarde?           
- Claro, venho prestar homenagens.           
- Senhora! Chegou! – interrompeu a criada.           
- Senhores, preciso receber o meu bendito bolo. Glória acompanhe os cavalheiros até a porta enquanto recebo a encomenda. Depois leve o meu vestido para o quarto e me aguarde lá.           
Encaminhou-se ate às portas do fundo e assinou a guia de recebimento.           
- Coloque-os próximo à mesa de frios.           
Passou pela cozinha, conferiu o cardápio, as bebidas e as roupas dos empregados. Subiu para o quarto onde a governanta a aguardava.           
- Agora irei me arrumar, Glória. Os convidados breve começarão a chegar, receba-os com sorriso no rosto, sim? Quero muita alegria e animação. O jantar deve ser servido às 18h em ponto para que tenham uma indigestão quando me virem. Verifique as luzes.           
- A senhora não me passou a lista de convidados.           
- Não, não precisa. Deixe as porta aberta para quem desejar entrar.          
 Quase todos os amigos que ali estariam eram empregados ou tinham negócios ligados às empresas Ferreira Dourado. O advogado aconselhou que fosse delicada quando falasse sobre o assunto. Estava despreocupada quanto a isso e esperava, francamente, compartilhar tudo com aqueles bajuladores de cargos e promoções.           
Às 18 horas e 30min apareceu deslumbrante no alto da escada usando o vestido vermelho que comprara em Londres exclusivamente para seu aniversário de 52 anos. Mas para aquela ocasião acrescentou um colar de diamantes com ouro branco e um anel solitário de uma esmeralda turco-grega lapidada por escravos feudais. Tinha consciência que ficara absolutamente muito mais encantadora do que no desastroso natalício. E claro, estava com o ego bem mais aguçado.           
Todos paralisaram as expressões e focaram-na a atenção. Soltou os cabelos e completou o visual com os óculos escuros do vendedor da gráfica.           
- Boa noite a todos! Agradeço a presença, apesar das despeitas, me sinto renovada e estou passando agora uma borracha em suas consciências.            
Começou a descer as escadas com a leveza de quem levita, reproduzindo-se em uma película preto e branco. Destacava-se apenas ela e suas rosas vermelhas espalhadas pelos salões.            
 - Mas como esta é a minha uma grande noite, deixarei o passado para trás e vou falar do futuro e de negócios. Fiz uma generosa retribuição a um presente que recebi de Deus. Quis agradecer minha graça, pois nessa madrugada fui abençoada durante um culto televisivo e quando para lá liguei, Ele, Deus, revelou-me que estava pronta para aceitá-lo em minha vida. Desci para o café e deparei-me com a sinopse de um trágico filme no jornal, e os convidei para que acompanhassem de perto o triste fim de Antônio. – levou a mão à boca e sorriu viúva, o verde do anel espelhou em seus olhos - Fiz novos planos para minha vida e já estou pronta para começá-los. Doei todas as empresas e ações que herdei para aquela igrejinha suburbana que ouviram falar em meu aniversário de 52 anos. A Igreja Jesus Aleluia Irmão. Ela administrará a partir de agora seus empregos.           
A plateia murmurou eufóricas reações e ela parou, olhou-os demoradamente passeando a vista por todos que lá estavam. Retomou a cena.           
- Glória, me traga aquela garrafa de champanhe 1942 que Antonio ganhou e guardou para uma conjuntura especial. Era para aquele dia, mas agora poderei finalmente comemorar meus 52 anos – recebeu a taça e a garrafa. Entregou para um diretor executivo da confiança de Ferreira Dourado – Faça o favor.            
Ele abriu e o estouro soou e refletiu não apenas nos olhos de Justina. Estendeu a taça para que ele a servisse.           
- Estou pronta para ser líder religiosa desta cidade e vocês agora compõem o coro para minhas cortinas. E como primeiro manifesto de minha autoria irei celebrar os cantos religiosos e fúnebres da noite. Amém? – Estendeu a taça convocando o brinde.           
E o coro morto e desenganado não completou.           
- Eu disse amém!            
- Amém...- responderam.           
Bebeu seu espumante 1942 e sorriu como uma lady para seus súditos. Engasgou-se e começou a tossir. Todos ficaram assistindo sem completar uma ação. Começou a faltar-lhe o ar e fez sinal para que batessem em suas costas. Eles engoliram o ar da sala e conspiraram com o olhar. Ela caiu morta ao chão. E a noite seguiu e o velório também, mas agora eles tinham os três corpos ao lado da mesa de frios.

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 (Jânio César. Desenho de Yuri Yamamoto.) 

Jânio César é um brasileiro amante das artes. Nasceu no dia 28 de fevereiro em Porto Alegre e cresceu e criou-se na capital do Ceará, estado que retem suas raízes familiares e culturais. Estudante do curso de Licenciatura em Teatro do IFCE, trabalha desenvolvendo atividades ligadas ao mundo das artes cênicas, mas define-se profissionalmente, em primeira instância, como poeta das virtudes e dos lamentos da vida. Em 2012 ganhou o Prêmio Literário Juvenal Galeno vinculado a Secretaria de Educação de Fortaleza, em razão do seu livro Três Pontos, conforme Diário Oficial do Município de Fortaleza, 23 de novembro de 2012 pág 25. Conheça um pouco de sua produção escrita dividida nas categorias: Poemas, Pequenos Contos, Contos e Pensamento.




ÍNDICE:


PRIMEIRO OLHAR
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER
SEGUNDO OLHAR
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER


I ATO

E quando eu falo do amor, do tempo, do vento, percebo! É necessário reinventar a vida.


ONDE ESTÁ LARRY TATE?    (Prosa Poética)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
IGUATEMI    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
A TV, O COLCHÃO, O SOFÁ E TRÊS DOUTOR    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
RISCO DO VENTRE    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
TRÊS PONTOS    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
O CONVITE    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
ELA É DO CARIRÍ    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
CÉU, TETO DE BURLE MARX    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
DO VERSO A PROSA    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
PRIMEIRO PONTO    (Olhar Poético) 
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 

I ATO - CONCLUSÃO:
Sim, eu ainda acredito no amor incondicional, sei que existe, mas não é de hoje que está perdido, não foi agora que ficou extinto. Foi esquecido e vulgarmente trocado pelos interesses, substituído por uma duvidosa ideia de sentimento.


II ATO
Outro dia, enquanto sonhava, fiz algo que queria muito. E de tão real o sonho, vi o tamanho da minha loucura.

TERÇA JOSÉ-MARIA FEIRA    (Prosa Poética)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
ORGULHOSA    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
O LEÃO E A FLORESTA    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
SAMBA PARA O NÃO AMOR    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
DEIXA ELA PASSAR...    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
SÓ UM PEDAÇO DE VOCÊ    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
A CAMISA E O CABIDE    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
TELA E FOLHA EM BRANCO, ADUBO DE MIM    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
REFLUXO    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
SEGUNDO PONTO    (Olhar Poético)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 

II ATO - CONCLUSÃO
Hoje a noite vou colocar minhas velhas asas nas costas para viajar pelos sonhos inventados. Vou fazer uma parada no teu abraço, seguir pelo teu carinho, beber da fonte que nos achamos, juntar os pedaços que você me deu e pendurar nas estrelas. Ver tudo que fantasiei na minha cabeça e que só nela ficou. Revirar todo o sonho e beber do teu veneno depois.


III ATO
Quero usar esta última inspiração antes que o desejo se vá e meus pensamentos fiquem mudos e frios, sem saber o doce sabor das palavras.

O ÚLTIMO DUQUE DE CAXIAS    (Prosa Poética)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
SE FERROU!    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
A PROSTITUTA DO AMOR    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER
OITO DE PAUS    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
O CAVERNOSO    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
10 CENTAVOS PAGA    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
ADÃO    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER
CORRENTES    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
MARIA DAS DORES    (Poema)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 
TERCEIRO PONTO    (Olhar Poético)
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 


III ATO - CONCLUSÃO
Houve um tempo em que as pessoas se respondiam, mesmo quando não se correspondiam. O mais estranho diálogo é sem dúvida o mudo e frio. O silêncio só fala por aquele que não arrisca suas palavras para não ter que justificá-las.

TERCEIRO OLHAR
ˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉˉ LER 


CONTOS
APENAS BOAS HISTÓRIAS FAZEM PRAÇA    (Conto)
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SUCESSO É OUTRA COISA    (Conto)
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VITÓRIA CORTEZ    (Conto)
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UM CAFÉ BEM AMARGO, POR FAVOR.    (Conto)
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MIL SÓIS    (Conto)
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ELA DISSE AMÉM    (Conto)
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